Governo brasileiro recebe reivindicações de esperantistas (uma carta em três passos)

29/07/2013 16:05

Por Afonso Camboim


 

Primeiro passo:

 
Redigi, como simples cidadão, uma Carta Aberta à Presidenta Dilma e aos ministros da Secretaria-Geral da Presidência, da Educação e do Itamaraty. O portal Fale com a Presidenta <> não aceita textos com mais de 1000 caracteres. Que seja: reduzi minha missiva e enviei pelo portal, em 27 de fevereiro de 2013 20:43, com o seguinte teor:
 
Excelência, Trata-se de grave solicitação. Pedido sério nem sempre é levado a sério, fica na "filtragem" apressada das assessorias, porém o faço, sabedor do respeito de V. Exa. a cada cidadão. Há ampla fundamentação, mas o espaço não comporta mais que justificativa sumária. Considerando, pois, a) que o Brasil é signatário de 2 Resoluções da Unesco (Montevidéu 1954 e Sófia 1985), formuladas para conclamar os Países-Membros a inserir a língua internacional Esperanto em seus sistemas de ensino; b) que até agora a maioria dos governos nada fez, preferindo os onerosos caminhos da tradução e do poliglotismo e o financiamento tácito a idiomas hegemônicos; e c) que o voluntariado esperantista, marginalizado, dificilmente atingirá a meta do "bilinguismo suficiente"; Peço que o Governo do Brasil, mediante MEC, Itamaraty, etc., a) inicie o processo de inserção do Esperanto no sistema oficial de ensino do País; e b) proponha acordos e parcerias com outros Governos pela língua ponte neutra. P. D.
 

Segundo passo:

 
O portal do Itamaraty, até onde tentei, não recebe textos de "simples cidadãos". Já o do MEC, recebeu na íntegra - suprimi apenas os anexos da carta, a qual registrou-se no MEC como Demanda 11506796 (com senha para acompanhamento). Além dos avisos de recebimento, nenhum retorno (até agora). 
 
 

Terceiro passo:

 
Resolvi entregar a carta/anexos em mão. Busquei apoio do presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Wasny de Roure, que gentilmente prontificou-se a agendar um encontro nosso com o ministro Gilberto Carvalho. Enquanto isso, a carta já não era de um simples cidadão, já que o presidente da Liga Brasileira de Esperanto aceitara inserir a entidade, além de "nomear-me" (a meu pedido) para conduzir o processo, e já que o nome do presidente da CLDF passava a constar como intermediador. Enfim, o documento completo foi entregue pessoal e oficialmente pelo deputado ao ministro, em 19 de junho de 2013, e aguardamos a data para "esmiuçar" a proposta perante o representante do Governo. Eis a carta (o "projeto-célula" eu explico depois):
 
 
Carta Aberta
 
À Excelentíssima Senhora Presidenta da República Dilma Rousseff
 
Aos Excelentíssimos Senhores Ministros de Estado da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho; da Educação, Aluízio Mercadante; e das Relações Exteriores, Antônio Patriota
 
Senhora Presidenta,
Senhores Ministros,
 
Considerando que existe uma Língua Internacional, o Esperanto, planejada há 125 anos e com falantes hoje em mais de 120 países, 70 dos quais, a exemplo do Brasil, com entidades nacionais filiadas à Universala Esperanto-Asocio – UEA (entidade mundial do movimento esperantista ligada à Unesco e sediada em Rotterdam, Holanda);
Considerando que o Brasil é signatário de duas Resoluções da Unesco (Conferências Gerais de Montevidéu/Uruguai, 1954, e de Sófia/Bulgária, 1985 - v. Anexos), ambas formuladas para reconhecer a importância do Esperanto na comunicação verbal direta entre os povos e para conclamar os Países-Membros a iniciarem processos de introdução do Esperanto em seus sistemas de ensino;
Considerando que, após mais de meio século, quase nada foi feito pelos governos dos Países-Membros da Unesco no sentido de produzir fundamentos para a inserção do Esperanto, o que tem transformado os esperantistas em mais uma minoria internacional marginalizada e o seu incansável voluntariado em desperdício de esforços;
Considerando que a opção dos sistemas educacionais pelo ensino de língua(s) estrangeira(s), além de solução ineficaz (já que não prescinde das onerosas vias do poliglotismo e das traduções), tem servido muito pouco à Cidadania, operando sobretudo em favor da causa hegemônica de alguns povos, indevidamente às custas dos cofres públicos e/ou do bolso do cidadão indefeso;
Considerando, finalmente, que milhões de esperantistas, milhões de apoiadores intelectuais, milhares de organismos e instituições simpatizantes da língua internacional, tudo isso, sem a participação de um conjunto de governos, reduz-se a quase nada, não passa de uma chama de esperança de que algum dia, com apenas dois idiomas, um ser humano possa falar ao mundo;
A Liga Brasileira de Esperanto – BEL, entidade nacional do movimento esperantista no BrasilÓrgão de Utilidade Pública desde 26/10/1921 (Decreto n. 4.356 - ratificado por certidão pelo Ministério da Justiça do Brasil em 18/01/2005), situada no SDS Ed. Venâncio III, Sala 303, Brasília - DF, CEP 70393-902, telefone (61) 3226-1298, fax (61) 3226-4446, endereço eletrônico  bel@esperanto.org.br,  representada neste ato pelo seu Presidente e por mim, José Afonso de Sousa Camboim, servidor público residente em Brasília/DF, E-mail camboim.afonso@gmail.comna qualidade de Assessor de Intercâmbio e Imprensa da BEL, e sob o intermédio do Exmo. Senhor Deputado Distrital Wasny de Roure, Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, solicita a Vossas Excelências que o governo do Brasil:
1) inicie o processo de inserção do Esperanto no sistema oficial de ensino do País: seja criando extraordinariamente núcleos de estudo e pesquisa do Esperanto em departamentos de Letras das universidades federais, com vistas à formação e/ou capacitação de professores, inclusive mediante o Ensino a Distância; seja elaborando mecanismos de curto e de longo prazos a fim de inserir o Esperanto como opção para o estudo da segunda língua (“LEM”) no Ensino Médio e para prova de língua no vestibular e em outros concursos públicos; seja produzindo/alterando suporte legal com esse propósito; seja tomando outras providências cabíveis; e
2) busque formalizar parcerias com outros governos sensíveis à necessidade de adoção de uma língua ponte neutra, num contexto internacional de milhares de línguas étnicas intra e extranacionais, celebrando acordos com grupos dos quais o Brasil faz parte (como Brics e G20) e com a plurilinguística União Europeia, a fim de que o processo de inserção do Esperanto possa ser simultâneo, e portanto fortalecido, em um conjunto significativo de países.
A proposta esperantista de todos os povos afluírem para uma mesma segunda língua, sendo essa língua politicamente neutra e logicamente planejada, faculta à humanidade solucionar no horizonte de poucas décadas um de seus mais antigos problemas. Basta adotá-la, como fazem anualmente em seus congressos milhares de esperantistas, falantes nativos de 50/60 idiomas: ali basta o Esperanto – E isso nunca dependeu de nenhum governo.
Portanto, certa de que o atual Governo do Brasil não permitirá que perdure a negligência secular dos governos perante questão tão relevante, e certa de que esse Governo não relegará a impotentes voluntários esperantistas o dever de zelar por um verdadeiro Patrimônio Cultural da Humanidade, a BEL encaminha o “projeto-célula” Grupo de Trabalho Esperanto (v. Anexo 4) e aguarda deferimento, colocando-se ao inteiro dispor de Vossas Excelências.
 
Brasília, 18 de março de 2013.
  
Carlos Alberto Alves Pereira
(Presidente da Liga Brasileira de Esperanto – BEL)
 
José Afonso de Sousa Camboim
Assessor de Intercâmbio e Imprensa da BEL
 
Deputado Wasny de Roure
 
Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal
 

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